quarta-feira, 30 de maio de 2012

Farta de mim

Me sinto tão pequena no meio de tanta coisa. Me sinto distante do que eu quero. Aliás, queria mesmo era padecer sob uma redoma de vidro, manter-me intacta ao desencorajamento e comentários maldosos. Queria descansar...
Repousar-me durante a vida toda, ver os carros passarem e contar estrelas no céu. Daí eu me pergunto: O que tem feito sentido? O que tem saído da forma como eu queria ou ao menos planejei? Tenho vivido presa as coisas da vida, só não sei de quem seria essa vida.
Tal como um presidiário barbudo, diariamente risco meu calendário e na hora de adormecer solto um suspiro como que dissesse: "Menos um dia".
Amanhecer não tem feito a mim sentido algum. Em nada me acrescenta... Minha vida anda um tanto quanto igual e... Vazia. Cheia por aqui estou só eu. Cheia de não saber como agir no próximo capítulo, farta de tão pouco saber. Farta das incertezas e dos planos que nunca sairão do meu imaginário. Farta das pessoas e do pior: farta de mim mesma.

É isso


Então vamos fingir.
Eu de forte, você de maduro. 
Seguimos nosso caminhos, cada um na estrada que achou melhor. Desde o ponto em que eu desci do carro e te deixei só, minha estrada não tem parecido muito interessante. É sempre a mesma folhagem seca e o mesmo céu vazio sem estrelas. Do seu caminho, entretanto, eu não sei. Arriscaria dizer que a sua estrada sempre foi mais vistosa que a minha, só que sem ter ninguém no banco de carona pra compartilhar tudo isso fica meio sem sentido. 
Você vagou, vagou, deu volta na sua própria órbita e voltou a mim. Com boas novas crente que eu me abalaria. Tolo. Mal sabe que você foi apenas distração, que nada mudou e que se quer pegadas no caminho foi capaz de deixar. 
Essa história de ter que cuidar de alguém sempre foi convidativa a mim, até que você apareceu e me abriu os olhos. Eu não quero ter que cuidar de ninguém. Eu quero ser cuidada. É isso.

sábado, 26 de maio de 2012

Teorias sobre os últimos dias.

   Ando tão desapegada daquilo que gosto. Isso inclui você e minha antiga coleção de cds.
Isso inclui minhas séries e meus hábitos.
Inclui meu cachorro e o pão de queijo da minha avó.

   Ando tão alheia aquilo que penso. Minha política nunca esteve tão no fundo do baú feito agora.
Meus cadarços nunca estiveram tão frouxos e minhas mãos tão calejadas.

   Ando torta sem saber o caminho que devia seguir... Não vejo o carteiro há dias e o canto dos pássaros tornaram-se impenetráveis aos meus ouvidos. Assim como os palpites que você costumava dar sobre minha vida e sua teoria de que ela ia de mal a pior.
   Hoje percebo que você nunca esteve totalmente errado. Mas é que eu me cansei. Me cansei e só.
   Não sinto-me fora do eixo num todo. Pelo contrário, sinto-me liberta da minha ilusória vida antiga. Hoje as coisas são mais amargas ou eu diria mais realistas. Consegui colocar as correntes nas engrenagens. O mundo tá rodando como devia rodar. Sem fantasias, sem nuvens de algodão e sem promessas furadas.
   Creio que amadureci. Desde o Natal em que discutimos por sms a ceia toda eu não escrevo mais para o Papai Noel. Quanto ao Coelhinho da Páscoa... Dele eu não consigo me desapegar; Você bem sabe que chocolates são minhas perdições!


   No mais... Não sei onde parei. Não sei pra onde vai a minha própria vida. Dá vontade de fugir das regras e começar um parágrafo novo com letra minúscula. Da vontade de sair correndo desapegada dos meus cadarços frouxos e da minha vida desinteressante, do muro cinza e do céu nublado.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Cada um por si e não você por todos


   E onde tá escrito que o peso do mundo é você quem deve carregar? Quem foi que disse que você teria que perder noites e junto delas seu humor? Onde fala que você deve se virar sozinha? Alguém já te disse que não precisa aguentar todo esse peso sozinha? E que se precisar eu tô aqui pra te dar uma mão, meus braços e se necessário até minhas pernas.
  Garota... Você vem se preocupando muito com muito pouco. Você vem absorvendo mais do que o necessário. Tal como uma esponja. Eu sempre soube disso mas agora vê-la despedaçando-se, vê-la com seus olhos marejados me faz querer reforçar isso.
  Garota... Perceba o mau que tem feito pra si mesma agora. Porque depois... Depois é tarde demais.
   Perceba que tudo é questão de atribuir prioridades. Coloque as tuas coisas no topo e o resto é se der tempo. 
   Perceba que ninguém faz por você. Que chega uma hora em que é cada um por si e não você por todos.

domingo, 20 de maio de 2012

< Insira um título >


  Deixei cair daquele livro velho uma foto antiga. Eu e você desavisados, com nosso típico e marcante olhar de desprezo, que só funcionava quando fazíamos juntos.  Automaticamente pensei em como estaria agora que não tem mais a mim do seu lado. Perdão aos que acham ser prepotência. Não é não... É só que vai, admite, eu sei. Eu era o seu mundo. Resta para você então uma coca-cola light – sim porque você é vaidoso – e um desses sacos enormes de Doritos para acompanha-lo nos finais de semana já que você não tem mais a mim.
 Seu cabelo nunca mais foi o mesmo e seus olhos não brilham mais, nem com a luz do sol. Suas roupas já não lhe caem tão bem e teu sorriso anda meio torto. Tu nem parece mais o mesmo cara da foto.
 E eu, vendo tudo isso de longe nado em sorrisos por saber que já era. Você não é e jamais será o mesmo sem eu por perto. Quem ensinará a você palavras novas? E quem vai arrumar o nó na tua gravata antes que saia pra alguma reunião importante? Quem agora perseguirá mariposas expulsando-as da sala de tv para que você enfim não sinta medo?
  Ninguém mais saberia preparar o café que você gosta, muito menos acompanha-lo com um violão desafinado. Ninguém entenderia suas crises existenciais nem ouviria seus lamentos, nem perguntaria da sua família.
  Apostaria minha coleção inteira de gibis em você antes. Apostaria que daria certo, que seria alguém, que conseguiria ir à academia todos os dias e que passaria no exame para tirar a carta logo de primeira. Hoje não aposto nem meu chicle mascado. Você sem mim não é se não mais um cara qualquer.
  Perdeu os amigos, os contatos, os sorrisos. Festas então, já nem o chamam. Sofre calado, sente saudades e ainda compra aquele pote grande de Nutella para devorar durante os filmes repetidos que passam na tv a cabo aos domingos. O problema é só que o gosto é amargo, mais amargo que aquela raspinha queimada do brigadeiro que fizemos na casa da minha avó. É amargo e só. Você até pensa ser algum defeito ou que provavelmente mudaram a composição. Não me surpreenderia caso pensasse realmente assim. Parece bem uma atitude sua ignorar o que acontece a sua volta. Ignorar o fato de que eu faço uma puta de uma falta na tua vida, que as coisas já não tem mais graça e que você sente falta das nossas músicas gritadas em frente ao pc. Ignorar que eu fui a única pessoa que acreditou em você e que de alguma forma fez com que você se sentisse especial como a figurinha do Ronaldinho no álbum da Copa de 2002. Ignorar que só depois de mim as letras do Lenine fizeram sentido e que “Os outros” era tudo aquilo que você um dia ensaiou dizer a mim pós nosso término.
 Ignorar que você nunca será completo sem ter a mim por perto e que parte seu coração se ver tão cheio de mim depois de tanto tempo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Desce três doses, do cara da esquina por favor!


   Trabalhava na lojinha da esquina. Via-o sempre passar por ali. Olhos baixos, fones no ouvido e um moletom meio gasto.O suficiente para me chamar atenção. 
   Vez ou outra via-o com um sorrisinho de lado ou batucando os dedos no ar, creio que no mesmo compasso da música que zumbia em seus ouvidos. 
  Não parecia tão interessante quanto os últimos caras que passaram pela minha vida nos últimos meses - que não eram muitos, aliás -, mas tinha algo, um pouco de mistério, o andar meio torto, a mania de morder os lábios que eu julgava um tanto quanto sedutora.
  Dia desses vou ensaiar um "oi", ou talvez um "olá" me fizesse parecer mais culta. Quem sabe só um sorriso, ou um olhar de desprezo chamaria mais atenção. 
Talvez ganhasse mais se fosse direta e logo pedisse seu telefone. Digamos que para realizar tal feito três doses de cachaça seriam necessárias, mas nada que eu não possa resolver no bar do outro lado da rua.    Talvez eu pudesse assusta-lo, e creio que pós três doses de cachaça qualquer chiclete de menta não ajudaria. Ponto negativo para mim.
   Penso então que o cara da lojinha da esquina, apesar de estar só a 22 passos de mim esteja longe demais da minha realidade. 
Penso então que tudo que eu almejo talvez estivesse.
Penso enfim que não tenho precisado de um pretexto para aquelas três doses citadas acima.
Penso agora que, por hora, elas cairiam perfeitas pra mim.
"Garçom...Desce três doses, do cara da esquina por favor!"

Falta amor


Triste mesmo é fechar os olhos ao ouvir uma balada romântica e não ter em quem pensar.
É inevitavelmente achar que devo pensar em "alguém" antes de dormir e perceber que um "alguém" não existe.
É perceber que tem uma lacuna em branco na sua vida. Que dificilmente qualquer coisa dê certo enquanto tal vazio não seja preenchido. É andar constantemente com suas mãos no bolso por não ter onde entrelaça-las, ou alguém para esquenta-las.
Não ter com quem brigar, nem ter alguém para sentir ciúmes, nem para compartilhar aqueles que seriam os momentos mais importantes da sua vida.
Falta sms's apaixonados recebidos na madrugada, falta ligações longas falando coisa alguma, falta tardes no cinema e mordidas na orelha.
Falta sorrisos, falta alegria, falta surpresa, falta alguém... Falta amor.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

-1º

Daí eu me vesti. Agasalhei-me e me cobri para que todo e qualquer vento frio não chegasse até minha epiderme.
Tola. Cobri o corpo. Já a alma ficou na mais pura evidência, na maior fragilidade.. E foi bem assim. Frágil.
Vi-me frágil perante os olhares curiosos e o olhar de pena de outros tantos. 
Vi-me frágil e convidativa as críticas e julgamentos alheios. De nada adiantava aquelas quatro camadas de pano que cobriam meu corpo. Eu, mais do que qualquer outro dia estava frágil, desarmada, desanimada e descrente de todos os conceitos que carregava para mim, que naquele momento caiam por terra.
Passava-se então um duradouro filme pela minha cabeça. De tudo que havia passado e das coisas que eram planejadas desde muito tempo.
Passou-se tudo que havia sido feito, todas as promessas que não chegaram a ser cumpridas, todas as risadas que ainda ecoavam em minha mente.
Junto de tudo, uma vontade tremenda de deixar lembranças e planos pela metade pra trás.
Ensaiei um grito, mais parecido com um urro. Um urro de dor, de tristeza, de decepção. Um urro para possivelmente intimidar qualquer um que ali passava e que me via despida de minhas forças e certezas.
Um urro que vem sendo ensaiado há tempos mas que não chegou ao tom perfeito para que então amedronte a eles e a quem sabe, eu mesma. Um urro que mostre-os que aqui dentro muita coisa existe, muita coisa grita... Muita coisa há tempos não é ouvida.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sobre oscilar.

Continuo oscilante. Meus pensamentos giram, giram e perdem-se no fim, feito as nuvens que passei a tarde encarando. A incerteza e a ansiedade pouco a pouco me corroem e eu me sinto um tanto quanto estranha. Minha vida foi posta em modo aleatório e esqueceram de me avisar. Daí as coisas ficam assim, oscilantes. Do mais calmo mpb ao mais pesado rock. Mantenho-me oscilante feito o vento no quintal que insiste em desfolhar os galhos. Eu não sei ao certo mas é como se só agora eu tivesse a real noção de que tanto tempo passou. Só não passou o que eu sinto. Só não passou o que devia ter passado. Só não passou o que eu tanto torci pra ser passageiro.

Escolhas...

A vida é feita de escolhas. A escolha do trabalho, a escolha dos amigos, a escolha dos amores. Escolher nem sempre é fácil, nem sempre é certo, nem sempre é bom. Mas a vida se resume a isso, a escolhas. A própria escolha de escolher ou não já é difícil por si só. Eu, a princípio escolhi viver irredutível a esse sentimento que aos poucos me doía o corpo e a alma... Mas, aos poucos, quase que no repente eu escolhi me deixar levar e ver pra onde o vento soprava em meu coração... Se hoje então a insônia bate em minha porta a escolha é minha e por mais que eu queira colocar a culpa em você e no seu sorriso torto e metálico a culpa é só minha... Foi eu quem escolhi assim.

domingo, 6 de maio de 2012

Velhos rascunhos.

Eu não costumo fazer muito isso.
Esse post esteve salvo em "rascunhos" durante muito tempo.
Na verdade é composição minha. Minha para alguém... Alguém que usa dessas frases, dos meus versos. Que cantarola sobre meus sentimentos por aí. Alguém que passou e foi embora. Da tal pessoa restou apenas versos. E esses, talvez seja os mais significativos.
Deixo aí então, minha saudade e minha angústia exposta para o mundo todo, quase que de forma infantil.




Oh estrela, que tanta luz me dá,
Oh estrela, no céu a iluminar.
Não deixa me faltar amor, seja a vida difícil como for,
E os amigos que me tragam bem, e que o sol não pare de brilhar
A todos aqueles que não me convém, que Jah enfim possa os afastar.
É mais um dia, o sol, o vento a soprar, a fina brisa é fácil de sentir.
Eu vejo pássaros soltos pelo ar, tentando enfim, quem sabem me mostrar
Mostrar que é assim, eu preciso de você, você de mim
Mostrar que é assim, que a felicidade, é tá do lado de gosta da gente de verdade...


Oh estrela, que tanta luz me dá,
Oh estrela, no céu me iluminar.
Não deixe de estar aqui
Não deixe me faltar amor
Nas dificuldades vou sorrir
Aconteça o que for quando eu olhar para o céu te desejar...
E ter certeza que ao seu lado eu sempre vou estar

Revisão


Eu não vejo os jornais .
Eu não vejo mais.
Não noto o tempo passar
Fico aqui, pronta, esperando você chegar.
Eu procuro, eu procuro em tantos rostos você
Eu procuro em tantos lugares te ver
Eu procuro uma ocasião pra falar, falar e te ter
Falar que é você, que eu gosto do teu cheiro
Do jeito como se veste
Que eu gosto do seu vocabulário e do seu cabelo
Assim, exatamente como você o pentea.
Eu gosto de como meus olhos brilham ao falar de você
Eu gosto do timbre da sua voz ao cantar
Eu gosto do timbre da sua voz ao telefone
Do timbre da sua voz ao interfone
Eu gosto do timbre da sua voz ao falar
Ao falar qualquer coisa, eu gosto da sua voz.
Eu gosto do  seu cheiro, tão seu. Tão sem cheiro de nada, tão cheirando você.
Gosto da sua mão, da sua mão e seus dedos,
Seus dedos estranhos .
Gosto de como anda, gosto do seu ombro largo
Gosto de como anda, gosto de como anda ao meu lado.
Gosto de você por ser você, gosto de você quando ta perto de mim,
Gosto de quem você é, quem você foi, quem você era antes mesmo de te conhecer
Eu gosto.
E só,de graça.

- Postado originalmente primeiro semestre de 2011 -

Sobre surpreender-se

Ouvi aquelas que seriam nossas músicas e me permiti lembrar de ti, diferente de todo esse último ano. Engraçado, mas só agora percebo o quão forte fui por conseguir me enganar todo esse tempo. Mantive-me irredutível - até então - e pouco admiti pensar em ti. Mas os últimos cinco dias tem sido intensos e minhas lembranças sobre você constantes. Nossa ligação é insana e eu que nunca duvidei disso sorri largamente ao perceber que as coisas pouco mudaram. Sorri ainda mais ao perceber que não era só eu quem me enganava e que vai ver você também sentiu falta todo esse tempo.

sábado, 5 de maio de 2012

Coração em ressaca

Adormeci sem saber que tipo de droga louca injetastes em minhas veias para que eu ficasse assim e sofresse, 
dopada do corpo e a alma em intenso choro.
 Adormeci pedindo um pouco do teu perfume e um breve beijo seu. 
Acordei me faltando um pedaço ao lembrar dos sonhos meus.
 E se eu escrevo é por fraqueza e na necessidade de desabafar. 
Escrevo por ser o que me resta e por não conseguir falar. 
Das palavras transbordam saudades e ressentimentos talvez. 
Encho meus versos de vírgulas por parecer as lágrimas que derramei.
 Levanto-me um tanto quanto confusa e ao olhar no espelho encaro a solidão, 
junto dela meus olhos inchados e a confusão que grita dentro do meu coração.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Mês cinco

 Vai ver seja lembranças que o mês cinco me trás ou somente a impressão que levo comigo dos dias serem mais longos e as noites mais solitárias. Ou talvez as perguntas sobre você que me fizeram no corredor. Quem sabe seja as fotos que encontrei no fundo da gaveta, a festança nas ruas da cidade. Vai ver seja simples. É só o amor que não acabou. É só a vontade de te ver que aumentou ou somente os toques dos seus polegares nas minha face que tem feito uma falta absurda durante esses amargos meses que arrastaram-se.
 Ao menos eu não tenho te visto. E arrisco dizer que isso só aumenta o meu sofrer. Eu queria poder ver seu novo corte de cabelo e admirar a forma solta como caminha. Talvez tecer algum comentário sobre seu novo tênis ou reparar o quão branca está a sua camisa.
 O mês cinco vem e com ele um mundo cheio de lembranças. São trinta e um dias em que um nó hospedeiro suga todas as minhas poucas energias - mais do que todos os outros meses -.
 Logo mais completa um ano. Um ano e cadê você ao meu lado? Um ano e vem tudo dando errado. Errado e um tanto quanto incerto. Porque bom, certo mesmo seria tê-lo por perto e então ver o meu choro cessar. 

Sobre narrar histórias alheias

"Ganhei um sorriso largo hoje. Meu dia só começa ali. Antes tudo é sombra e ela vem, como o meu sol".

Mais uma vez ele se via em frente ao espelho ensaiando a melhor maneira de lhe falar. Mas mesmo vendo apenas sua própria imagem refletida embargava a voz e seu coração batia de forma tão intensa que ele era capaz de sentir o quarto todo estremecer. Ensaiava apenas. Nada era colocado em prática.
 Ela em contrapartida não sabia do que acontecia. Continuava a viver sua vida sem graça sem se quer imaginar que era ela a graça da vida dele.
 Os encontros eram breves e constantes... Para ele seria breve. Todo tempo com ela ainda seria pouco.
Era sempre constante... Ao menos em seus pensamentos. Já para ela... Vai ver era indiferente, ou talvez não.
 Sentia-se um tanto quanto tolo por fechar os olhos ao ouvir aquela que seria a música deles, mesmo que ela nem soubesse que "eles" existisse. Sentia-se um tanto quanto feliz ao vê-la pelos corredores. Um tanto quanto realizado ao receber um sorriso torto de longe.
 Não tinha dúvidas. Aquilo era amor, só não sabia que era grande a ponto de encher uma caixa funda. Não tinha dúvidas mas não sabia o que fazer. Esperava pela hora certa sem saber que a hora certa é toda hora e que se não fosse essa demora, eles poderiam agora, ser feliz.