Daí eu me vesti. Agasalhei-me e me cobri para que todo e qualquer vento frio não chegasse até minha epiderme.
Tola. Cobri o corpo. Já a alma ficou na mais pura evidência, na maior fragilidade.. E foi bem assim. Frágil.
Vi-me frágil perante os olhares curiosos e o olhar de pena de outros tantos.
Vi-me frágil e convidativa as críticas e julgamentos alheios. De nada adiantava aquelas quatro camadas de pano que cobriam meu corpo. Eu, mais do que qualquer outro dia estava frágil, desarmada, desanimada e descrente de todos os conceitos que carregava para mim, que naquele momento caiam por terra.
Passava-se então um duradouro filme pela minha cabeça. De tudo que havia passado e das coisas que eram planejadas desde muito tempo.
Passou-se tudo que havia sido feito, todas as promessas que não chegaram a ser cumpridas, todas as risadas que ainda ecoavam em minha mente.
Junto de tudo, uma vontade tremenda de deixar lembranças e planos pela metade pra trás.
Ensaiei um grito, mais parecido com um urro. Um urro de dor, de tristeza, de decepção. Um urro para possivelmente intimidar qualquer um que ali passava e que me via despida de minhas forças e certezas.
Um urro que vem sendo ensaiado há tempos mas que não chegou ao tom perfeito para que então amedronte a eles e a quem sabe, eu mesma. Um urro que mostre-os que aqui dentro muita coisa existe, muita coisa grita... Muita coisa há tempos não é ouvida.
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