Fiz minhas setas azuis pelo caminho. Esperei atrás da cabina. Passastes por mim, e numa vidraça sortida procurei escrever aquela que eu queria que fosse nossa história. Esperei por ti, e na impaciência da demora rasguei fotografias e não permiti pensar mais em você. Planejei desfazer minha rotina, evita-lo, poupar vê-lo... Mas a música no parque embalava os meus dias e me levava, pouco a pouco, até você.
Comecei um jogo. Quis que jogasse comigo.
Insegurança nunca me acometeu, a não ser naquela tarde em que você carregava consigo um saco cheio... Carregava consigo um saco cheio, de confiança.. De si mesmo.
Tentei me esconder, negar e fugir. Esperar atrás da cabina mais uma vez... Mas não deu.
Diferente de quando criança, hoje preciso de pessoas por perto. Hoje preciso de você. E doente foi meu coração um dia por não saber de ti antes.
Dei a você o meu colo, entreguei a ti os meus planos. Não contava em abrir a porta e achar-te me esperando. Não contava em cantar a mais bela das melodias seguindo seu tom. Não notava ser o tom da tua pele o que mais combinava comigo.
Aquela tv a cores permanece rodeada com as velas que você deixou. O meu coração, permanece aquecido pelo seu amor.
Sem prazo de validade, liberto, na intensidade do vento a lamber nossos cabelos. Tiro minhas mãos da sua cintura, jogo-as pro alto, sorrio e agradeço.
Subi na tua garupa, permaneço desbravando nosso caminho, embalada pelo som da tua risada e sem precisar forçar um sorriso pra fotografia que certamente vai pra nosso mais novo porta-retrato.
Subo na tua garupa, me despeço do velho pintor do 201, agradeço ao caixa da tabacaria e sigo com você a trilhar o meu fabuloso destino... No rumo das setas azuis que deixamos no caminho.
- Baseado no filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain -

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