segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain



 






Fiz minhas setas azuis pelo caminho. Esperei atrás da cabina. Passastes por mim, e numa vidraça sortida procurei escrever aquela que eu queria que fosse nossa história. Esperei por ti, e na impaciência da demora rasguei fotografias e não permiti pensar mais em você. Planejei desfazer minha rotina, evita-lo, poupar vê-lo... Mas a música no parque embalava os meus dias e me levava, pouco a pouco, até você.
Comecei um jogo. Quis que jogasse comigo.
Insegurança nunca me acometeu, a não ser naquela tarde em que você carregava consigo um saco cheio... Carregava consigo um saco cheio, de confiança.. De si mesmo.

Tentei me esconder, negar e fugir. Esperar atrás da cabina mais uma vez... Mas não deu.
Diferente de quando criança, hoje preciso de pessoas por perto. Hoje preciso de você. E doente foi meu coração um dia por não saber de ti antes.

Dei a você o meu colo, entreguei a ti os meus planos. Não contava em abrir a porta e achar-te me esperando. Não contava em cantar a mais bela das melodias seguindo seu tom. Não notava ser o tom da tua pele o que mais combinava comigo.

Aquela tv a cores permanece rodeada com as velas que você deixou. O meu coração, permanece aquecido pelo seu amor.

Sem prazo de validade, liberto, na intensidade do vento a lamber nossos cabelos. Tiro minhas mãos da sua cintura, jogo-as pro alto, sorrio e agradeço. 
Subi na tua garupa, permaneço desbravando nosso caminho, embalada pelo som da tua risada e sem precisar forçar um sorriso pra fotografia que certamente vai pra nosso mais novo porta-retrato.

Subo na tua garupa, me despeço do velho pintor do 201, agradeço ao caixa da tabacaria e sigo com você a trilhar o meu fabuloso destino... No rumo das setas azuis que deixamos no caminho.


- Baseado no filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain -

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Eu máquina...


Formataram minha vida e não me deram o direito de se quer fazer um backup...
Então eu me adapto, acrescento novos ícones a minha "área de trabalho", reinstalo apenas o necessário e prometo a mim mesma que não vou deixar que coisas se acumulem e que o desempenho da minha máquina caia.
Tudo mudou... Inclusive a aparência. 
Um novo sistema operacional tomou conta de mim. Um novo sistema que não me permite perder tempo e nem me estressar com coisas tolas. Um novo sistema que apesar de melhor, ainda falha... Falha constantemente.
O diagnóstico do técnico foi simples e sucinto: mal uso.
Disse a ele que a culpa não era minha e sim dos outros que maltratavam a minha máquina. Ele olhou descrente.. Como que dissesse: "Pouco importa quem foi, o que aconteceu, como chegou ao ponto que chegou."
Ainda estou me adaptando, mas acho que as coisas seriam mais fáceis se levasse comigo um "backup". Sinto falta do que eu tinha antes... Mas era preciso uma atualização! Pra que enfim tudo funcionasse da forma como devia ser.
Formataram minha vida, mas o que eu me pergunto é: fizeram de mim uma máquina melhor? Ou me moldaram de acordo com as necessidades dos novos usuários?!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Um por você


Pois saiba que nada do que fizer de agora em diante será no intuito de magoa-lo.
Saiba que é tudo na intenção de não alimentar e deixar que algo cresça em seu peito.
O problema não é você. Não quero que isso soe patético. E o problema não sou eu também. O problema seria em nós dois juntos. É que na verdade, nós dois fomos feitos para trocar ideias, não exatamente beijos e carícias.
Pode ser que eu esteja me precipitando e tirando minhas próprias conclusões. Mas por favor rapaz, seja sincero comigo, diga o que tem para falar. Não se mate a cada dia. Não estraga e nem deixe cair por terra tudo que construímos dia desses. Não comenta os erros que outrora eu cometi.