domingo, 20 de maio de 2012

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  Deixei cair daquele livro velho uma foto antiga. Eu e você desavisados, com nosso típico e marcante olhar de desprezo, que só funcionava quando fazíamos juntos.  Automaticamente pensei em como estaria agora que não tem mais a mim do seu lado. Perdão aos que acham ser prepotência. Não é não... É só que vai, admite, eu sei. Eu era o seu mundo. Resta para você então uma coca-cola light – sim porque você é vaidoso – e um desses sacos enormes de Doritos para acompanha-lo nos finais de semana já que você não tem mais a mim.
 Seu cabelo nunca mais foi o mesmo e seus olhos não brilham mais, nem com a luz do sol. Suas roupas já não lhe caem tão bem e teu sorriso anda meio torto. Tu nem parece mais o mesmo cara da foto.
 E eu, vendo tudo isso de longe nado em sorrisos por saber que já era. Você não é e jamais será o mesmo sem eu por perto. Quem ensinará a você palavras novas? E quem vai arrumar o nó na tua gravata antes que saia pra alguma reunião importante? Quem agora perseguirá mariposas expulsando-as da sala de tv para que você enfim não sinta medo?
  Ninguém mais saberia preparar o café que você gosta, muito menos acompanha-lo com um violão desafinado. Ninguém entenderia suas crises existenciais nem ouviria seus lamentos, nem perguntaria da sua família.
  Apostaria minha coleção inteira de gibis em você antes. Apostaria que daria certo, que seria alguém, que conseguiria ir à academia todos os dias e que passaria no exame para tirar a carta logo de primeira. Hoje não aposto nem meu chicle mascado. Você sem mim não é se não mais um cara qualquer.
  Perdeu os amigos, os contatos, os sorrisos. Festas então, já nem o chamam. Sofre calado, sente saudades e ainda compra aquele pote grande de Nutella para devorar durante os filmes repetidos que passam na tv a cabo aos domingos. O problema é só que o gosto é amargo, mais amargo que aquela raspinha queimada do brigadeiro que fizemos na casa da minha avó. É amargo e só. Você até pensa ser algum defeito ou que provavelmente mudaram a composição. Não me surpreenderia caso pensasse realmente assim. Parece bem uma atitude sua ignorar o que acontece a sua volta. Ignorar o fato de que eu faço uma puta de uma falta na tua vida, que as coisas já não tem mais graça e que você sente falta das nossas músicas gritadas em frente ao pc. Ignorar que eu fui a única pessoa que acreditou em você e que de alguma forma fez com que você se sentisse especial como a figurinha do Ronaldinho no álbum da Copa de 2002. Ignorar que só depois de mim as letras do Lenine fizeram sentido e que “Os outros” era tudo aquilo que você um dia ensaiou dizer a mim pós nosso término.
 Ignorar que você nunca será completo sem ter a mim por perto e que parte seu coração se ver tão cheio de mim depois de tanto tempo.

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