Ando tão desapegada daquilo que gosto. Isso inclui você e minha antiga coleção de cds.
Isso inclui minhas séries e meus hábitos.
Inclui meu cachorro e o pão de queijo da minha avó.
Ando tão alheia aquilo que penso. Minha política nunca esteve tão no fundo do baú feito agora.
Meus cadarços nunca estiveram tão frouxos e minhas mãos tão calejadas.
Ando torta sem saber o caminho que devia seguir... Não vejo o carteiro há dias e o canto dos pássaros tornaram-se impenetráveis aos meus ouvidos. Assim como os palpites que você costumava dar sobre minha vida e sua teoria de que ela ia de mal a pior.
Hoje percebo que você nunca esteve totalmente errado. Mas é que eu me cansei. Me cansei e só.
Não sinto-me fora do eixo num todo. Pelo contrário, sinto-me liberta da minha ilusória vida antiga. Hoje as coisas são mais amargas ou eu diria mais realistas. Consegui colocar as correntes nas engrenagens. O mundo tá rodando como devia rodar. Sem fantasias, sem nuvens de algodão e sem promessas furadas.
Creio que amadureci. Desde o Natal em que discutimos por sms a ceia toda eu não escrevo mais para o Papai Noel. Quanto ao Coelhinho da Páscoa... Dele eu não consigo me desapegar; Você bem sabe que chocolates são minhas perdições!
No mais... Não sei onde parei. Não sei pra onde vai a minha própria vida. Dá vontade de fugir das regras e começar um parágrafo novo com letra minúscula. Da vontade de sair correndo desapegada dos meus cadarços frouxos e da minha vida desinteressante, do muro cinza e do céu nublado.
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