E os dias em que somente quando o relógio marca o fim do dia é quando escuto minha voz comprova minha solidão.
Não sei o que faço se busco por espaço e me mantenho só.
Não sei o que faço se busco por espaço e me mantenho só.
Se a ausência por aqui se quer foi notada, se o corte de cabelo nem mesmo percebido, se o sapato encardido deu lugar ao salto alto e ninguém nem observou. Notada só para o esculacho.
É o peso que ganhou, a roupa que não lavou, os ferros feios na boca que colocou, as lentes sujas frente aos meus olhos...
Me sinto só. Ainda que tenha que lidar com tanta gente, com tantos números, com vários olhares sob mim.
Não tem sido raras as minhas andanças em meio a multidão. Em que corro do nada para lugar nenhum. Sábado mesmo aconteceu. No domingo também. E na quinta não adicionaram meu nome na lista. Na segunda houve o mesmo.
Sigo remando na superfície, rodeada de pessoas, no meio do Pelourinho em pleno carnaval. E sigo só.
Se o telefone toca é engano. Se a mensagem chega, é pedido. Nunca um convite, nunca um estender de mão.
Me sinto só e não que não dependa de mim, mas, ao visto, continuarei me sentindo.
O Preto Velho me falou que é um passo de cada vez. Me disse que não há degrau que eu não seja capaz de subir.
O Preto Velho se enganou.
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