quinta-feira, 22 de março de 2012

Sobre fones, óculos e bonés...

Daí então ela decidiu que trilharia seu caminho sem seus fones de ouvidos.
E pôde então perceber o barulho dos carros, o som dos pássaros, a sola do sapato ao bater no chão, as exclamações alheias, as reclamações alheias. Decidiu que trilharia sem seus fones de ouvido, pausa na música, play no que acontece a sua volta... Parecia de certa forma mais simpática. As pessoas a abordavam sem medo de lhe atrapalhar ou de serem ignoradas. As pessoas sorriam... apenas sorriam.
Dado esse passo, ela decidiu que trilharia seu caminho sem seus óculos escuros.
Queria ser assim de agora em diante, deixar que a luz do sol a incomode e que esporadicamente até a fizesse lacrimejar, apenas pra sentir o gosto salgado em seus lábios, começava literalmente a ver o mundo em outra ótica. Podia ver claramente a luz que a rodeava, o sol que a encobria, o brilho nos olhos das pessoas, e o melhor: permitia que vissem o seu brilho também.
Mais uma vez então, resolveu que trilharia seu caminho sem seu boné, e permitiu que o vento lambesse teus cabelos e que o sol esquentasse sua moleira, que o cheiro de erva-doce do shampoo agraciasse quem mais estivesse por perto.
Percebendo o quão bom foi aquela mudança de comportamento, resolveu que trilharia seu caminho totalmente despida. Não havia fones, óculos, bonés... Mas não é desse despir que ela estava falando. Ela estava falando sobre livrar-se de seus egos, despir-se de suas fraquezas, aposentar as inseguranças, olhar sem as lentes do medo, ouvir apenas o que lhe convém, sentir e deixar-se aquecer por tudo aquilo que a faça melhor.


E então, depois daquela semana, despida de certas coisas, ela pôde seguir em paz, procurando mais alguma história que pudesse me contar...

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